Mitos e verdades sobre a prótese de seios: materiais, tamanhos, riscos cirúrgicos e mais!Foi-se o tempo em que a marca registrada da mulher brasileira eram os seios pequenos e quadris largos. Com a mudança dos padrões de beleza que atingiu o mundo todo, a moda é ter seios fartos e sensuais. Com inspiração em celebridades que exploram esses atributos, a mulherada lota os consultórios médicos em busca do seio perfeito. O resultado é que o implante de prótese de silicone nos seios é hoje uma das cirurgias plásticas mais procuradas no país, junto com a lipoaspiração. Mas será que vale a pena?
De acordo com o cirurgião plástico Edmar Fontoura, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e responsável pela Clínica Plastiké, no Rio de Janeiro, 90% das cirurgias de implante de silicone atuais têm fins estéticos - apenas 10% são para a reconstrução de mama. "A busca cresceu muito nos últimos anos, tanto entre mulheres que querem aumentar os seios quanto aquelas que desejam corrigir uma queda", afirma. Mas é preciso atentar para a idade mínima para se submeter à cirurgia, por volta dos 16 ou 17 anos. Dependendo do desenvolvimento do corpo da paciente, pode ser preciso esperar mais um pouco.
Qual o tamanho ideal?Inicialmente, as próteses para seios eram recheadas com silicone líquido e casos de ruptura ou vazamento eram comuns. Hoje são feitas com gel de silicone coesivo, que não vaza e, portanto, são muito mais seguras, e com revestimento de poliuretano, igualmente firmes e confiáveis. Os tamanhos variam de 135ml a 500ml. O ideal é que o resultado fique o mais natural possível.
As formas também são diversas:
- A prótese de perfil baixo tem cerca de dois centímetros de altura e possui uma base mais larga. É mais indicada para quem quer ficar com o colo mais cheio, mas não quer que o peito fique muito para a frente. Discreta, é pouco usada nas cirurgias.
- A de perfil alto, campeã de preferência entre as brasileiras, tem aproximadamente cinco centímetros de altura e projeta os seios para a frente, sem preencher muito a região do colo.
- A prótese anatômica tem a forma de uma gota e é mais indicada para quem tem mamas com formas bem definidas e só deseja aumentar um pouco o tamanho. Segundo o Dr. Edmar, é mais usada nas cirurgias de reconstrução da mama, sem fins estéticos.
Antes da cirurgiaA parte mais importante de todo o processo é o pré-operatório. O primeiro passo é escolher um cirurgião plástico habilitado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Jamais faça a cirurgia em locais clandestinos ou por pessoas não habilitadas: os riscos de complicações e morte não compensam a economia. A busca por um médico de confiança precisa ser feita com calma. "Visitei uns quatro médicos, todos indicados por pessoas que conheço, antes de tomar a decisão", conta Kelly Teixeira, 36 anos, decoradora. O mesmo cuidado foi tomado pela pedagoga Denise Lima, de 33. "Tive algumas indicações de amigas que já tinham feito, pesquisei na internet, conheci todos os médicos, mas acabei escolhendo o que soube me explicar mais sobre o assunto", diz.
Definido o cirurgião, é necessário conversar francamente, tirar todas as dúvidas e ouvir as orientações. Será preciso passar por uma rigorosa avaliação do perfil físico e psicológico, além de exames de sangue e avaliação cardiológica. A escolha da prótese ideal deve ser tomada em conjunto com o médico, de acordo com as proporções do corpo. São levados em conta a estatura, a anatomia do tórax, o conteúdo mamário e até o tipo de pele. Para ajudar, são mostradas fotos de pessoas que passaram pela cirurgia, mostrando como era antes e como o seio ficou depois.
Na consulta, o médico deve explicar como é feita a colocação da prótese. Existem três opções de incisão, a infra-mamária (na dobra embaixo da mama), periaureolar (geralmente na parte de baixo dos mamilos) e pelas axilas. Em geral, o corte é discreto, de quatro a cinco centímetros, dependendo do tamanho da prótese - se ela for muito grande, o corte será maior. Já a anestesia pode ser geral ou local, mas isso deve ser discutido no consultório após a realização dos exames pré-operatórios.
Os riscos da cirurgia são poucos, mas devem ser explicados tintim por tintim. Além da infecção hospitalar, podem ocorrer hematomas e endurecimento dos seios. Endurecimento? Como assim? Bem, em algumas mulheres pode acontecer de o corpo "estranhar" a presença do implante no seio, formando uma cápsula fibrosa ao redor dele. Se ela ficar dura, vai contrair o implante, mudando o formato do seio. Segundo o médico, são poucos os casos em que isso acontece. "De 2% a 4% das mulheres acabam apresentando esse problema, mas ele pode ser corrigido com uma nova cirurgia. Nos casos em que o endurecimento for mais severo, recomenda-se a retirada da prótese e a colocação de uma nova", observa.
Mitos e dúvidasEntre as perguntas mais comuns de quem opta pelo implante, duas chamam bastante atenção. Uma delas se refere à amamentação. Será que dá para amamentar normalmente usando a prótese? Dá, sem problemas. Os implantes são colocados abaixo do tecido glandular mamário, por isso não têm a menor interferência no aleitamento.
Outra preocupação é relacionada ao câncer de mama. Ao contrário do que se pensa, as próteses não atrapalham a identificação de um tumor - nem durante o autoexame, feito em casa, tampouco durante exames mais complexos, como a mamografia. Também é mito, segundo especialistas, que as próteses provoquem a doença. Isso não significa que a mulher deva se descuidar do controle. Com ou sem prótese, é preciso fazer o autoexame regularmente e visitar o médico para detectar precocemente o câncer.
A validade das próteses também é bastante questionada. Em geral, elas têm dez anos de garantia, porém as mais modernas, feitas de gel coesivo, duram muito mais tempo e só precisam ser trocadas se houver algum problema. Mesmo assim, seja qual for o tipo da prótese, após uma década é preciso fazer acompanhamento anual com exames de ultrassom e mamografia.
Depois de feitas todas as escolhas e pesar os prós e contras, é hora da cirurgia. O procedimento costuma ser relativamente rápido, dependendo da técnica: em média 90 a 120 minutos. No final, é colocado um curativo compressivo e, por cima, um sutiã especial. A paciente nem precisa ficar internada, pode voltar para casa no mesmo dia, após algumas horas de descanso na clínica ou hospital. Os pontos serão tirados em até dez dias.
Como em toda recuperação de cirurgia, é normal sentir dor após a colocação do implante, especialmente nos cinco primeiros dias. Algumas mulheres sentem mais, outras menos.
"Fiquei com um dreno durante três dias, por recomendação do médico para evitar infecção. Foi um show de horror, doía demais. Coloquei a prótese embaixo do músculo e acabei não tendo força para deitar e levantar sozinha, nem para apertar o botão da descarga. Tive de ficar na casa da minha irmã, sendo cuidada por ela durante dez dias", lembra Denise Lima. Já a redatora técnica Stella Souto, de 33 anos, teve uma recuperação tranqüila. "Tive de me preocupar somente com os cuidados de praxe: não pegar sol ou dirigir por um mês, duas semanas dormindo de barriga pra cima, aplicação de pomadas na cicatriz. Nada fora do usual", comenta.
Evitar fazer esforço físico ajuda bastante na recuperação. "Nos dois primeiros dias, a paciente não pode se mexer muito. Porém, de 48 a 72 horas após a cirurgia, ela já pode ter vida normal. Movimento previne o endurecimento, então é bom retomar as atividades cotidianas imediatamente após esse período", assinala o Dr. Edmar.
Para cada mulher, um resultadoA transformação física e emocional de quem coloca silicone é grande. Afinal, a mudança mexe com a autoestima. Mas a reação varia de mulher para mulher. "Mais de um ano após a cirurgia, ainda tenho alguns incômodos porque uma das próteses desceu meio centímetro a mais do que deveria e isso causa umas repuxadas no lugar da cicatriz. Ainda hoje, quando faço musculação, sinto um pouco do movimento do silicone, mas nada que incomode. De qualquer forma, estou planejando voltar ao médico para fazer uns ajustes. Sinto que, com a prótese, o corpo ficou mais harmônico, mas não ficou perfeito como eu gostaria", queixa-se Denise.
Para Stella, a mudança foi positiva. "Agora as próteses são parte de mim. Como não há incômodo, às vezes até esqueço que meus seios não foram sempre assim. A maior mudança é psicológica, pois a gente passa a se sentir mais mulher, mais feminina", avalia. Kelly, que fez a cirurgia depois de amamentar trigêmeos, também não tem do que reclamar. "Adoro como meus seios ficaram. Deu um upgrade na minha autoestima, eu recomendo", diz.