segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Escova progressiva

Como funciona a escova progressiva?

BOA FORMA lançou a campanha pró-cachos, convidando as leitoras a assumir os caracóis. Como nem todas aderiram, e muitas ainda dariam quase tudo por um cabelo lisinho, resolvemos conhecer a fundo o mundo dos alisamentos e relaxamentos e desembaraçar para você esse emaranhado de nomes e explicações químicas que aparecem quando se tenta entender como um cacho rebelde fica liso depois de algumas horas no cabeleireiro.

O primeiro passo é conhecer os personagens, ou seja, os agentes capazes de entrar no seu cabelo e modificar a estrutura do fio – prepare- se para nomes esquisitíssimos! O formol já foi estrela e fez sucesso nas escovas progressivas. Depois de proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cedeu lugar a duas famílias de substâncias. Os tioglicolatos (o tioglicolato de amônia e de etalonamina) são mais suaves, porém capazes de um alisamento bem eficiente. Já a família dos hidróxidos (que inclui o hidróxido de sódio, de cálcio e a guanidina), são mais fortes e, algumas vezes, incompatíveis com tinturas ou outras químicas.Essas substâncias agem de forma semelhante, portanto a escolha do tipo de alisamento depende do estado do cabelo e da habilidade do profissional. “Para um cabelo fragilizado, que passou por tinturas e descolorações, sugiro um alisamento com tioglicolato, que é compatível com tintura. As guanidinas e hidróxidos são melhores para fios mais resistentes”, explica Célia Liberato, cabeleireira do E.V, que trabalha com alisamento desde 1996, quando as primeiras escovas japonesas começaram a ser feitas no Brasil.

Como fica liso?

“Para modificar a estrutura do cabelo, o princípio alisante precisa entrar no fio, atravessar a cutícula e a medula até chegar ao córtex do fio, onde fica a queratina”, explica Maurício Puppo, professor de Cosmetologia. Lá no córtex, cada grupo de molécula de queratina se liga a outro por uma estrutura química denominada ponte de enxofre. Imagine os grupos de queratina como crianças e as pontes de enxofre são as mãos dadas. No cabelo encaracolado, as crianças estão com os braços encolhidos. Nos fios lisos, essas crianças estariam com os braços bem esticados, formando como se fosse um cordão. O alisante tem o poder de soltar as pontes de enxofre (as mãos das crianças) e fazer com que se unam de um jeito diferente. A chapinha ajuda esticar esses braços e os cabelo fica bem liso.

A importância do teste de ponta

Depois de escolhido o profissional e a técnica que irá domar os seus fios é hora de partir para o teste de ponta. “Esse procedimento mostra como está a resistência do cabelo e qual a capacidade do fio para suportar o alisamento ou relaxamento. Se, durante o teste, a mecha ganhar elasticidade, é sinal de que não é recomendável fazer a aplicação”, explica Júlio Crepaldi. Ele vetou o alisamento, para esta reportagem, em três garotas que estavam com o cabelo aparentemente forte e saudável. “É impossível atestar a força do fio sem experimentar o produto que seria usado. Dependendo da habilidade, o cabeleireiro até consegue evitar que um cabelo muito danificado caia durante o alisamento, mas se o fio está frágil, certamente vai quebrar depois, mesmo que leve alguns meses”, diz Julio. E completa: “Ainda acontece de o salão ‘empurrar’ para a cliente várias hidratações, método que não reverte o processo de quebra e ainda pode piorar o quadro. É que a queratina, presente em alguns tipos de hidratação, enrijece o fio e ele quebra mais facilmente, como se fosse um espaguete cru”.

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